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Capítulo 4 – As universidades


Os benefícios de estudar na universidade


Existem pelo menos esses 4 motivos atraentes pra estudar na universidade:

   - aprendizado: aprender conceitos, informações e ferramentas que vão te tornar um bom profissional. Em muitos casos, a infraestrutura da universidade, como laboratórios e bibliotecas, aumenta ainda mais a qualidade do aprendizado.

   - pessoas: conhecer gente interessante que vai ajudar na sua carreira: amigos na sua turma, professores e profissionais do mercado.

   - selo de qualidade: o diploma é a parte da reputação que fica com os alunos. Ele tem 2 utilidades principais: provar que você é um profissional de qualidade, o que pode abrir portas na hora de conseguir um emprego, e permitir que você trabalhe em certas profissões que são reguladas pelo governo: advocacia, medicina, engenharia, psicologia e contabilidade, etc. Nesses casos, você realmente precisa ter um diploma pra trabalhar em uma dessas profissões.

   - aumento da renda: historicamente no Brasil, quem tem um diploma de nível superior tem uma renda maior do que quem tem somente o de nível médio. Mas essa é uma ideia que precisa ser olhada com mais atenção. Primeiro, porque a renda consideravelmente maior só existe pros formados de universidades conceituadas, que são a minoria dos alunos. Então só ter um diploma não é uma garantia de aumento expressivo na renda. Segundo, porque se formar em universidades conceituadas demanda investimentos por parte dos alunos: tempo até se formar, estudo intensivo pra ser aprovado no vestibular e custo da mensalidade no caso das universidades privadas (nas públicas, as mensalidades são pagas com os impostos de todos os brasileiros). Então esse aumento de renda acaba sendo uma consequência do tempo (às vezes dedicado totalmente aos estudos) e dinheiro investido ao longo de anos. Mas infelizmente muitas pessoas não têm condições de arcar com esses investimentos.

Esses são os 4 motivos clássicos e que historicamente incentivaram os alunos a fazerem um curso universitário, são a narrativa do sistema educacional sobre porque a universidade é a melhor (e às vezes a única) ponte entre a escola e o mercado de trabalho.

Mas ai surgiu a internet.... e novos caminhos entre a escola e o mercado de trabalho estão sendo criados, formando outras narrativas sobre esses 4 motivos:

   - aprendizado: a internet criou e facilitou o acesso a livros, cursos, fóruns e uma infinidade de informações que capacitam os alunos como profissionais. Obviamente, tem uma parte prática do aprendizado, com interação física entre as pessoas, como a residência médica, que você não consegue na internet. Mas há 30 anos praticamente a única forma de acessar certos conhecimentos teóricos era nas bibliotecas das universidades. A facilidade de acesso ao conhecimento varia de profissão pra profissão, por exemplo, o desenvolvedor de software encontra online todo o conhecimento que precisa pra começar. É difícil julgar se o conhecimento na internet é melhor ou pior do que na universidade, porque isso depende de muitas variáveis, mas o fato é que ele é uma alternativa que está se expandindo.

   - pessoas: os fóruns e redes sociais permitem conhecer pessoas em qualquer lugar do mundo. Talvez não sejam as mesmas pessoas que você conheceria na universidade, mas são pessoas que podem te ajudar na sua carreira. De novo aqui o importante é que a internet oferece uma alternativa pra conhecer pessoas do mercado de trabalho.

   - selo de qualidade: além da possibilidade de ser autodidata aprendendo com conteúdos grátis e cursos livres dispersos na internet, também é possível fazer uma universidade com ensino à distância ou semipresencial. No caso do autodidatismo, não vai existir um papel atestando sua qualidade, você vai precisar mostrar através de projetos ou habilidades práticas. No caso das profissões reguladas, esse caminho ainda não é uma solução alternativa completa pra todas as carreiras, porque não dá pra ser médico 100% online. Já os cursos à distância ou semipresenciais, fornecem uma formação completa com diploma em várias áreas. De qualquer forma, em todas as áreas do mercado de trabalho, a internet está expandindo o acesso à conteúdos que podem complementar a formação profissional.

   - aumento da renda: não existem informações precisas sobre os efeitos do autodidatismo na internet e do diplomas de ensino à distância ou semipresenciais sobre a renda. Inclusive, é impossível saber a dimensão exata do autodidatismo, porque não existem registros consolidando o acesso aos conteúdos dispersos na internet. Mas um conceito geral de nível de educação em relação à renda é que cada ano a mais de estudo representa um aumento na renda, então o fato de continuar estudando tende melhorar a sua capacidade de gerar renda. Do ponto de vista dos custos, no geral, o autodidatismo e os cursos à distância e semipresenciais são alternativas bem mais baratas e acessíveis (geralmente não têm vestibular ou processo seletivo, e quando têm são menos concorridos) do que os cursos presenciais nas universidades.

Moral da história: a internet vem crescendo como uma ponte paralela entre a escola e o mercado de trabalho e algum nível difícil de medir, ela enfraqueceu o poder das universidades nessa função. Não existe uma resposta definitiva sobre o que é melhor: as ferramentas da internet ou as universidades presenciais. Cada aluno precisa avaliar o contexto da sua profissão e os recursos pessoais (energia, tempo e dinheiro) que está disposto a investir na sua jornada de formação profissional.

Existem muitas profissões que não precisam de diploma em curso universitário pra atuar: administração, moda, publicidade, economia, jornalismo, desenvolvimento de software, design e pedagogia (dependendo onde você quer atuar como professor). Nesses casos, os alunos têm ainda mais espaço pra se desenvolverem profissionalmente sem depender do sistema.

Nessas profissões que não precisam de curso universitário, o mercado de trabalho tem uma tendência de valorizar mais habilidades práticas do que puramente a reputação do diploma universitário. O diploma pode ainda servir como uma porta de entrada pra conseguir um emprego, mas seguir e evoluir dentro do emprego vai depender cada vez mais do esforço e da capacidade pessoal de atuar na prática.

As empresas não vão manter alguém só porque tem um diploma bonito ou porque tem conhecimento teórico. Saber utilizar o conhecimento teórico é cada vez mais importante, especialmente nas áreas onde todo ou grande parte do conhecimento teórico está disponível na internet ou de outras formas fora da universidade.





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