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Capítulo 5 – Os filtros e obstáculos


Evasão universitária


Pra entender o que é a evasão, a gente precisa saber as decisões possíveis que um estudante universitário pode tomar sobre o que vai fazer a cada semestre:

   - Continuação: manter sua matrícula na mesma universidade e no mesmo curso.

   - Formatura: concluir o curso, se já tiver cumprido todos os requisitos.

   - Transferência interna: manter sua matrícula na mesma universidade, mas em um outro curso.

   - Trancamento: suspender sua matrícula com a possibilidade de reativar no futuro.

   - Transferência externa: se desmatricular da universidade e ao mesmo tempo se matricular em outra universidade, sem precisar fazer um novo vestibular.

   - Desligamento: se desmatricular definitivamente da universidade.

A evasão só se encaixa nos últimos 2 casos: transferência externa e desligamento. As universidades são obrigadas a informar ao MEC quando isso acontece e a partir dessas informações é possível calcular a evasão no Brasil.

Mas e os casos de transferência interna e trancamento? Apesar de geralmente significarem que o aluno está insatisfeito com o curso, as universidades não informam sobre eles ao MEC, então ninguém sabe a dimensão exata desses problemas.

Existe ainda uma outra informação muito importante, mas que estamos ainda mais longe de saber: das pessoas que continuam matriculadas nos cursos, quantas gostam dele e estão empolgadas pra se formar? Não precisa ser um gênio pra perceber que tem gente que não gosta do que está estudando e não pretende seguir na área, mas infelizmente não temos a dimensão exata desse problema.

Vamos seguir falando sobre as informações apresentadas pelo governo, mas a gente precisa saber que na prática a situação é pior do que os números apresentam.

A evasão média dos cursos de bacharelado no Brasil é 22%*, ou seja, praticamente 1 a cada 4 pessoas que entram em curso de graduação não se forma na universidade que se matriculou inicialmente. Essa porcentagem varia de 4% a 39% em função da universidade, do curso, do tipo de universidade (pública ou privada) e do tipo de curso (presencial ou à distância). Os dados são de 2015, mas a evasão média ficou em torno desse valor ao longo dos 15 anos anteriores.

* https://educacao.estadao.com.br/blogs/roberto-lobo/497-2/

Existem vários motivos pra alguém abandonar a universidade: não gostar do curso, não gostar da universidade, estar insatisfeito com o mercado do trabalho, problemas financeiros, problemas pessoais e falta de acompanhamento acadêmico e pedagógico.

É bom deixar claro que a evasão também é um problema pras universidades, já que todos os anos são perdidos bilhões de reais por causa da saída de alunos durante o curso**.

** http://g1.globo.com/educacao/noticia/2011/02/pais-perde-r-9-bilhoes-com-evasao-no-ensino-superior-diz-pesquisador.html

Mesmo com as perdas por causa da evasão, o sistema educacional consegue sobreviver, porque já está acostumado a funcionar com uma parte das pessoas saindo no meio do caminho. Obviamente seria melhor se ninguém saísse, mas provavelmente o custo e o esforço pra reduzir a evasão não compensam no curto prazo. De qualquer forma, existem causas da evasão que estão fora do controle das universidades, então mesmo que estivessem totalmente empenhadas em reduzir a evasão, ainda assim isso não desapareceria.

Por outro lado, do ponto de vista dos alunos, a evasão geralmente é traumática. Quebrar a expectativa que existia em relação a um curso, talvez ter que estudar de novo pra passar no vestibular, expor esses problemas pra família e amigos são coisas muito difíceis que o dinheiro não mede.

Enquanto estamos na escola, o caminho ao longo do tempo é uma linha reta pra todo mundo. Mas depois que ela acaba se abrem infinitos caminhos, sendo que muito deles não são uma linha reta.

Apesar da quebra de expectativa em relação ao caminho que estava planejado, a evasão é um ótimo jeito de ajustar o caminho de alguém que está insatisfeito com o que está acontecendo.

A carreira linear, sem desvios e sem atrasos, vai ser cada vez mais incomum, porque quanto mais as tecnologias oferecerem novas oportunidades, menos gente vai trilhar os caminhos que já existiam antes.

Não tem problema seguir o caminho previsível se isso te ajudar a chegar onde você quer, mas acho que a gente precisa acabar com essa expectativa de que o caminho com desvios é necessariamente pior.

Afinal, não adianta você chegar rápido num lugar onde você não quer. Usar um caminho com desvios pra atingir seus objetivos vale muito mais a pena do que caminhar sem surpresas rumo ao indesejado.





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