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Capítulo 2 – O mercado de trabalho


Novas informações


Tem uma dimensão que deixa bem clara a diferença entre esses 3 mundos: quantidade de novas informações, que é a velocidade de produção de novas informações que os alunos ou profissionais tem que lidar pra fazer o que é esperado deles.

É impossível fazer uma generalização absoluta porque sempre existem escolas, universidades e setores no mercado de trabalho diferentes. Mas em geral, a quantidade de novas informações no mercado de trabalho é maior do que nas universidades, que é maior do que nas escolas.


Aumento da quantidade de novas informações: mercado de trabalho é maior do que na universidade, que é maior do que na escola

Quando o sistema educacional foi criado, existia muito menos conhecimento no mundo, nessa época os abismos entre as informações das escolas, universidades e mercado de trabalho eram bem menores. Mas as dinâmicas específicas que existem nas escolas, universidades e mercado de trabalho tendem a aumentar esses abismos.

A dinâmica do mercado de trabalho tem fatores que aumentam a produção de informações: problemas e demandas dos clientes/usuários, concorrência entre as empresas, liberdade das empresas pra desenvolver seus planos de crescimento e disponibilidade de novas tecnologias. Esses fatores induzem uma geração contínua de conhecimento, mesmo que cada setor do mercado de trabalho tenha seu nível de produção de conhecimento.

Nas universidades, os professores desenvolvem pesquisas que geram conhecimento, mas muitas vezes esse conteúdo não chega nas salas de aulas das próprias universidades. O conteúdo ensinado aos alunos vai sendo ajustado pontualmente e aos poucos, porque essas mudanças dependem do consenso dos professores, e às vezes do governo e de conselhos profissionais (como OAB, CREA e CRM).

A escola é o ambiente onde o processo pra criar novos conteúdos e alterar o currículo é o mais complexo, já que envolve alunos, pais, diretores e governo. Não estou criticando esse processo, que realmente é algo delicado por envolver as vidas de milhões de estudantes brasileiros, só quero apontar pro fato de que essas mudanças são as que demoram mais tempo, mantendo assim o conteúdo escola estável por muitos anos. Também não estou dizendo que escola e universidades deveriam acompanhar o ritmo da geração de conhecimento do mercado de trabalho, até porque elas têm outros objetivos além de preparar os alunos pro mercado de trabalho.

Como na prática o mercado de trabalho está sempre produzindo novas informações, as universidades produzem informações, mas mexem pouco nos currículos, e as escolas podem demorar décadas pra alterarem seus conteúdos, a tendência é que as informações do mercado de trabalho estejam cada vez mais distantes do que é ensinado nas universidades e, especialmente, nas escolas.

Quando você está saindo da escola é importante perceber que na hora de pensar sobre o futuro a gente precisa levar em conta a existência desses abismos pra não criar expectativas erradas sobre o futuro.





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